OverClock
Sexta, 27 de Janeiro de 2023

Mesmo com avanço do Pix, 203 milhões de cheques foram compensados em 2022 Sexta, 27 de Janeiro de 2023

Mesmo com avanço do Pix, 203 milhões de cheques foram compensados em 2022

Dados divulgados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) nesta semana mostram que o uso de cheques continua diminuindo no Brasil. Mesmo assim, a modalidade ainda tem muitos adeptos. Nem o Pix conseguiu aposentar essa opção. Em 2022, quase 203 milhões de cheques foram compensados no país.

Talão de cheques (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Foram 202.848.320 cheques compensados no ano passado, para ser exato. De acordo com a Febraban, esse número corresponde a uma diminuição de 7,3% em relação a 2021 (218.944.650 cheques).

Os volumes financeiros movimentados com cheques pouco mudaram de um ano para o outro, porém. Em 2022, foram R$ 667 bilhões. Em 2021, R$ 666,8 bilhões.

Há uma explicação para montantes tão altos envolvendo os talões: cheques são muito usados para transações de maior valor. É o que conta Walter Faria, diretor-adjunto de serviços da Febraban. Um levantamento da instituição aponta que o valor médio do cheque em 2021 foi de R$ 3.046,52. No ano passado, a média ficou em R$ 3.257,88.

O Pix predomina em operações de baixo valor, até por ser muito utilizado em compras como alternativa ao dinheiro em espécie e ao cartão de crédito.

Quem ainda usa cheque?

Cheques ainda são muito usados pelo público com mais idade. A razão é um tanto óbvia: essas pessoas se acostumaram com a modalidade quando ela era mais popular e resistem em abrir mão dela.

Também não é incomum o uso de cheques para transações de alto valor, como a compra de um carro ou de um imóvel. É claro que as modalidades digitais podem ser usadas para isso. Mas existe um fator cultural que faz o cheque ser aceito até hoje para esse fim.

Quem explica é o próprio Walter Faria, ao Tecnoblog. O executivo conversou com nós em abril de 2022, quando publicamos a reportagem especial “Com Pix e carteiras digitais, o cheque ainda sobrevive“.

Na ocasião, causava espanto saber que o cheque ainda era muito utilizado no Brasil. Com boleto, cartão de crédito, transferências via DOC/TED e, mais recentemente, Pix, parecia que o cheque iria finalmente cair no esquecimento.

Não caiu. Mas o seu uso diminui ano a ano.

Eram 3,3 bilhões de cheques em 1995

203 milhões de cheques é uma quantidade elevada. Mas esse número já foi muito maior. A Febraban revela que, em 1995, quando a série histórica teve início, 3,3 bilhões de cheques foram compensados. De lá até 2022, a redução do uso da modalidade foi de 93,91%.

AnoCheques compensadosVariação desde 1995
19953.334.224.724
19963.158.118.845-5,28%
19972.943.837.133-11,71%
19982.748.906.075-17,55%
19992.602.863.723-21,93%
20002.637.492.836-20,90%
20012.600.298.561-22,01%
20022.397.295.279-28,10%
20032.246.428.302-32,63%
20042.106.501.724-36,82%
20051.940.344.627-41,81%
20061.709.352.834-48,73%
20071.533.452.222-54,01%
20081.396.544.544-58,11%
20091.234.971.610-62,96%
20101.120.364.198-66,40%
20111.012.774.771-69,62%
2012914.214.328-72,58%
2013838.178.679-74,86%
2014755.816.648-77,33%
2015672.014.638-79,84%
2016576.404.408-82,71%
2017494.055.868-85,18%
2018436.204.425-86,92%
2019384.278.195-88,47%
2020287.196.448-91,39%
2021218.944.650-93,43%
2022202.848.320-93,91%

A adesão aos meios digitais é a explicação para isso, com destaque para o Pix. É o que comenta Faria:

Atualmente, sete em cada dez transações bancárias no país são feitas pelos canais digitais (internet e mobile banking), reflexo da comodidade, velocidade e segurança oferecidas por estes meios de pagamentos.

Soma-se a isso também o Pix, que ao longo de dois anos de funcionamento, se consolidou como o meio de pagamento mais utilizado pelos brasileiros.

Apesar disso, a Febraban não tem previsão sobre se ou quando o cheque será descontinuado no Brasil.

Mesmo com avanço do Pix, 203 milhões de cheques foram compensados em 2022


Compartilhe: https://tinyurl.com/2omqnxf8