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Sexta, 27 de Janeiro de 2023

Recuperação da Ricardo Eletro pode indicar próximos passos da Americanas Sexta, 27 de Janeiro de 2023

Recuperação da Ricardo Eletro pode indicar próximos passos da Americanas

Desde que foi revelado o débito de R$ 20 bilhões da Americanas, um dos questionamentos debatidos nas conversas sobre o caso é: a varejista vai ou não se salvar? No Brasil, temos exemplos positivos e negativos para comparar com a situação da empresa. A recuperação judicial da Ricardo Eletro é o mais próximo do caso da Americanas no momento por se tratar do segmento de varejo.

Americanas
Americanas (Imagem: Divulgação/Americanas)

Odebrecht, Oi e Samarco são os maiores casos do Brasil, mas nenhuma delas envolve uma empresa do ramo de varejo. Por isso, a Americanas pode usar a sua concorrente mineira como modelo para sair da crise — mesmo que a sua dívida seja dez vezes maior que os débitos da Ricardo Eletro.

Ordem na casa e prioridade no que dá lucro

Como comentado na notícia sobre o pedido de recuperação judicial da Americanas, o instrumento é uma forma da empresa “arrumar a casa”, com as cobranças das dívidas sendo suspensas para que ela possa renegociá-las e apresentar um plano para recuperar a eficiência da gestão.

A Ricardo Eletro, durante a sua recuperação judicial, iniciada em 2020, fechou todas as lojas físicas e continuou operando somente no e-commerce. Como esperado em uma situação dessa, 3.600 funcionários foram demitidos.

O varejo é um setor arriscado, ainda mais quando você atende tanto o ambiente físico como o digital. Logo, focar no comércio online, assim como fez a Ricardo Eletro, é um caminho muito possível para a Americanas — e trágico para os empregados das lojas.

O e-commerce possui um custo operacional menor que o espaço físico. De acordo com a Americanas, ela mantém mais de 1.700 lojas em todo o Brasil.

App da Americanas na tela do celular (Imagem: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)
App da Americanas na tela do celular (Imagem: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)

Recentemente, a Ricardo Eletro relançou a sua plataforma de marketplace. Depois de reverter três declarações de falência, a varejista de Minas Gerais parece estar no caminho para se recuperar financeiramente. Um exemplo é que o portfólio e-commerce saltou de 3.000 produtos para 10.000 itens.

A Ricardo Eletro ainda anunciou que abrirá, em fevereiro, duas lojas físicas no seu estado de origem. A varejista ainda está atrás de mais crédito para lançar outros três espaços, também em Minas Gerais.

Mesmo que os custos de operação sejam maiores do que o e-commerce, as lojas físicas visam atender o público que não realizam as compras onlines.

Credores precisam aprovar a recuperação judicial

A Americanas precisará da aprovação de mais de 50% dos seus credores para seguir com o seu plano de recuperação. Com mais de R$ 40 bilhões em dívidas e mais de 7.900 nomes na lista de credores, é inegável que a situação da varejista carioca é bem mais complicada que a da Ricardo Eletro.

Ame vai oferecer cashback de 10% em compras feitas no Maracanã (Imagem: Divulgação/Americanas S.A.)
Americanas está devendo até para a Ame (Imagem: Divulgação/Americanas S.A.)

Com dívidas de R$ 4 bilhões, sendo que praticamente a metade é com o Santander e Bradesco, 75% dos credores aprovaram o plano de recuperação da Ricardo Eletro. Porém, passados mais de dois anos, o processo ainda não terminou. Todavia, a recuperação judicial parece estar seguindo conforme o planejado.

Em comum com a situação da Ricardo Eletro, os maiores credores da Americanas são os bancos. Somando os maiores valores, a empresa carioca deve R$ 27 bilhões para eles, com a Deutsche Bank cobrando R$ 5,2 bilhões.

O caso da Americanas será mais complicado e bem mais longo. Aqui, a comparação da varejista é com a recuperação judicial da Oi e sua dívida de R$ 65,9 bilhões. O processo foi finalizado após seis anos e a empresa vendeu algumas de suas subsidiárias. A Oi Móvel foi dividida para as concorrentes Tim, Claro e Vivo.

Com informações: InfoMoney

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