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Sexta, 27 de Janeiro de 2023

SpaceX vai mudar o design dos Starlink para não prejudicar mais a astronomia Sexta, 27 de Janeiro de 2023

SpaceX vai mudar o design dos Starlink para não prejudicar mais a astronomia

A Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (NSF, na sigla em inglês) e a SpaceX, que opera a megaconstelação de satélites Starlink, fecharam um novo acordo para reduzir a interferência do brilho dos satélites em observações astronômicas. A empresa de Elon Musk lida com o problema desde 2019, quando lançou as primeiras unidades à órbita, e vem sendo pressionada pela comunidade científica para resolver a situação.

É que os satélites refletem a luz solar e acabam ficando brilhantes demais no céu noturno, podendo ser avistados até mesmo a olho nu. E em registros astronômicos — sejam feitos por telescópios ou por astrofotógrafos —, a situação fica grave, já que a passagem dos Starlink gera rastros luminosos nas imagens, prejudicando e até inviabilizando o estudo do cosmos por meio desses registros.

Os rastros dos satélites Starlink são um grande desafio para observações astronômicas a partir do solo (Imagem: Reprodução/Victoria Girgis/Lowell Observatory)

O tempo passou e a empresa seguiu lançando diversos lotes de satélites periodicamente, fazendo com que, em janeiro de 2022, os rastros dos Starlink já aparecessem quase 20% das observações astronômicas.

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A empresa de Musk até tentou revestir alguns Starlink com um acabamento escuro — o que não bastou para resolver o problema — e depois tentou aplicar uma espécie de visor em alguns deles com a intenção de direcionar a luz refletida para outro sentido — mas isso também não foi suficiente. Na verdade, os novos Starlink até ficaram invisíveis a olho nu, mas não para telescópios, que continuaram registrando fotos com os inconvenientes rastros luminosos.

Para tentar resolver o problema de uma vez por todas, a SpaceX e a NSF trabalharam juntas na busca de soluções viáveis e eficientes, indo além da interferência visual e também considerando outros danos que os satélites causam na ciência. É o caso de interferências das transmissões dos Starlink em bandas de rádio entre as frequências 10,6 e 10,7 GHz.

Até o telescópio espacial Hubble teve observações prejudicadas pela passagem de satélites Starlink à sua frente (Imagem: NASA/HUBBLE/Simon Porter)

A ideia é que os satélites tenham painéis solares capazes de mitigar o brilho, além de filmes espelhados dielétricos e um novo tipo de revestimento que deverá reduzir a luz refletida por eles. Além disso, a SpaceX se comprometeu a continuar seguindo recomendações de boas práticas da União Astronômica Internacional e de outras instituições, incluindo a redução do brilho visível dos satélites para, no mínimo, 7º de magnitude.

Quanto às preocupações relacionadas aos radiotelescópios, a SpaceX concordou em trabalhar com as instalações de radioastronomia afetadas pelos satélites. O compromisso vai além da proteção das bandas de rádio e permite também que as observações de rádio sejam realizadas em bandas que, normalmente, não são alocadas para a astronomia.

Ainda, a SpaceX se comprometeu a estudar os impactos dos terminais de Starlink próximos dos observatórios Very Large Array e Green Bank, no Novo México e Virgínia, respectivamente. Por fim, a empresa e a NSF devem seguir atuando juntas para abordarem as preocupações da comunidade astronômica não só com a expansão da constelação de satélites Starlink, como também com os projetos concorrentes — a OneWeb já atingiu 80% de sua constelação e a Amazon quer começar a lançar os satélites do Projeto Kuiper agora em 2023.

Leia a matéria no Canaltech.

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