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Sábado, 21 de Abril de 2018

Em carta aberta, CEO da Kaspersky critica falta de transparência do Twitter Sábado, 21 de Abril de 2018

Em carta aberta, CEO da Kaspersky critica falta de transparência do Twitter

Em janeiro deste ano, o Twitter simplesmente resolveu banir a Kaspersky — famosa desenvolvedora de soluções de segurança — da sua plataforma de publicidade, impedindo a companhia de anunciar na rede social. Na época, tudo o que o site fez foi enviar uma carta afirmando que “a Kaspersky Lab opera em um modelo de negócios que conflita com as práticas de negócio do Twitter Ads”, sem dar mais detalhes sobre o assunto. De lá para cá, a companhia russa tentou, sem sucesso, reverter essa polêmica decisão.

Contudo, visto que as tentativas de resolver o problema de maneira diplomática falharam, ninguém menos do que Eugene Kaspersky (CEO e fundador da companhia) resolveu publicar hoje (20) uma carta aberta criticando a postura da rede social. “Uma coisa que eu posso dizer sem medo é: nós nunca violamos nenhuma regra escrita — ou não escrita —, e nosso modelo de negócios é muito simples [...] Nós oferecemos produtos e serviços aos nossos consumidores, e eles nos pagam por eles”, explicou Eugene.

Para demonstrar seu descontentamento, o executivo até mesmo publicou gráficos que mostram que a maioria dos anúncios feitos no Twitter sequer possuem apelo comercial, resumindo-se a postagens que alertam os usuários sobre novas ameaças digitais e dicas de como se proteger contra elas. Só em 2017, a Kaspersky afirma ter gastado cerca de US$ 93 mil em publicidade na plataforma. “Nós vendemos proteção contra ameaças e é só isso. Sem violações às práticas de publicidade do Twitter!” aponta.

My open letter to @jack Dorsey asking for more transparency to quash any doubts about potential political censorship on Twitter https://t.co/XKtIOpbmd3 pic.twitter.com/UhecZRY7ZB

— Eugene Kaspersky (@e_kaspersky) 20 de abril de 2018

Eugene termina sua carta reclamando sobre a falta de transparência da gerência da rede social e explica que publicar uma carta aberta poderá não apenas salvar outras empresas do ramo que sofrerem com a mesma “censura”, mas também mostrar ao mundo que o Twitter está cometendo uma “injustiça”. O CEO também deixou claro que, de qualquer forma, não irá mais anunciar na plataforma mesmo se o banimento for desfeito; em vez disso, ele doará a verba anual para a Electronic Frontier Foundation (EFF), organização sem fins lucrativos que advoga a privacidade e a liberdade de expressão em meios digitais.

No matter how this situation develops, we won’t be doing any more advertising on Twitter this year.

The whole of the planned Twitter advertising budget for 2018 will instead be donated to the @EFF. They do a lot to fight censorship online.

— Eugene Kaspersky (@e_kaspersky) 20 de abril de 2018

Espião russo?

Embora o Twitter não tenha explicado o banimento de forma pública, um porta-voz da rede social citou, ao site CyberScoop, os recentes conflitos entre a Kaspersky e o governo norte-americano.

Em setembro do ano passado, vários órgãos oficiais dos Estados Unidos resolveram banir os softwares da marca após descobrir que alguns de seus funcionários tinham ligações com as agências de inteligência da Rússia, sendo obrigados a cooperar caso as autoridades russas requisitassem sua ajuda para interceptar comunicações, por exemplo.

Sendo assim, o mais provável é que, para o Twitter, a Kaspersky represente um perigo para todos os cidadãos estadunidenses — por mais que isso seja uma seja uma visão um tanto radical da situação.


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