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Segunda, 22 de Outubro de 2018

WhatsApp não adotará sugestões contra fake news antes do segundo turno Segunda, 22 de Outubro de 2018

WhatsApp não adotará sugestões contra fake news antes do segundo turno

A disseminação pelo WhatsApp de notícias falsas ligadas a eleição fez o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sugerir mudanças ao aplicativo. A Agência Lupa e especialistas da UFMG e da USP também defendem restrições para conter a desinformação.

Porém, a empresa “não tem planos” de adotar as ações sugeridas. Um porta-voz do WhatsApp afirmou à BBC News Brasil que uma mudança a poucos dias do segundo turno da eleição seria “impossível” por questões técnicas.

Foto por Álvaro Ibáñez/Flickr

O WhatsApp costuma levar meses para implementar as mudanças. Primeiro, a atualização é liberada a um pequeno grupo de usuários. Depois, ela é ampliada de forma lenta e gradual. O processo só termina quando todos os usuários atualizam o aplicativo para as versões mais recentes.

A recomendação do TSE envolve a limitação na quantidade de grupos criados pela mesma pessoa e de participantes em cada grupo. O tribunal também sugere limitar o encaminhamento de mensagens de 20 para 5 pessoas ou grupos por vez, assim como o aplicativo fez na Índia.

No entanto, o porta-voz do WhatsApp lembra que os usuários na Índia “não ficaram satisfeitos” com o novo limite de encaminhamento de mensagens. Até por isso, a empresa não pensa em implementar a mudança no Brasil.

Além do “feedback dos usuários”, o WhatsApp explica que busca um “equilíbrio entre o que é liberdade de expressão e o que é violação de regras”. Na semana passada, representantes do aplicativo se reuniram com membros do TSE para tratar de mensagens falsas.

O executivos sugeriram que o tribunal adotasse o WhatsApp Business para entar em contato com os eleitores e impedir a disseminação de boatos.

WhatsApp bane agências de disparos de mensagens

Na sexta-feira (19), o WhatsApp notificou quatro agências: Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market. Elas teriam sido contratadas por empresários apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL) para realizar o disparo em massa de mensagens contra a campanha de Fernando Haddad (PT).

Segundo uma reportagem da Folha de S.Paulo, os acordos com as agências chegam a R$ 12 milhões. A contratação dos serviços pode ser configurada como doação empresarial de campanha, o que é proibido pela lei eleitoral.

O WhatsApp determinou que as quatro agências parem de disparar mensagens em massa e deixem de entrar em contato com números de celulares obtidos na internet. As contas do aplicativo ligadas às empresas foram banidas.

Jair Bolsonaro, candidato a presidência pelo PSL (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O disparo em massa pelo WhatsApp é permitido, mas é preciso usar uma lista formada por pessoas que cederam seus dados para a campanha. As agências, no entanto, teriam usado bases de terceiros, com origem desconhecida.

A conta de Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidenciável, também foi bloqueada. De acordo com o WhatsApp, por “comportamento de spam”. O aplicativo afirma que o número de Flávio foi bloqueado no dia 11 e liberado no dia 14 de outubro.

Os termos do WhatsApp proíbem a “publicação de falsidades, deturpações ou alegações enganosas, envio ilegal ou não autorizado de comunicações, como mensagens em bloco, automáticas, auto-discadas; ou que envolva o uso não pessoal do serviço a menos que autorizado pela empresa”.

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