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Quinta, 22 de Agosto de 2019

Liberdade de internet: quais são os cinco melhores (e piores) países no quesito? Quinta, 22 de Agosto de 2019

Liberdade de internet: quais são os cinco melhores (e piores) países no quesito?

Por mais difundida que seja, a internet como a conhecemos é um luxo: na maior parte do mundo, existe o senso comum de que a rede é uma terra sem governança política ou influência de nações — o discurso é livre, as consequências também.

Mas na realidade, nem sempre é assim: o Brasil, segundo levantamento de 2017 feito pela Freedom House, marca 33 pontos (em avaliação de 0 a 100) no quesito “liberdade de internet”, com determinações do relatório apontando algumas políticas praticadas por aqui — imprensa parcialmente livre, bloqueio moderado de algumas redes sociais e penetração de rede pouco maior que a metade da população, por exemplo.

Existem países em melhores condições que a nossa (obviamente), mas também tem gente pior (de novo, obviamente). Assim sendo, listamos a seguir as cinco melhores — e piores — nações no que tange às práticas de liberdade na internet:

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Quão boa (ou ruim) pode ser a internet no mundo? Veja exemplos do que há de melhor e pior nos países abaixo

Os melhores

Islândia

O gélido país nórdico é considerado um dos principais exemplos a serem seguidos de práticas de liberdade da rede. Quase 80% da população tem acesso à internet, que tem preço médio de 8.113,35 coroas islandesas (Íkr), o que dá algo próximo de US$ 65; e qualquer prática de censura é proibida pela constituição do país. A única filtragem de conteúdo é feita diretamente pelos provedores de acesso, e na maioria dos casos isso é resultante de casos de pornografia infantil e outras criminalidades online.

Estônia

A nação situada no lado oriental da Europa também abraçou o mundo digital bem cedo e, hoje, mais de 75% de sua população está conectada à rede de custo médio mensal de € 22,06. Tal qual a Islândia, a constituição estoniana também proíbe a prática de censura e o único controle de acesso feito no país é referente a uma lista de 800 sites bloqueados por provedores, todos relacionados a apostas e criminalidade.

Com a censura ilegal via constituição, boa penetração para os cidadãos e políticas de liberdade reforçadas, a Islândia é o país com melhor posicionamento no ranking de liberdade de internet no mundo (Imagem: Reprodução/DepositPhotos)

Canadá

A nação mais ao norte do continente americano é, talvez, a que mais se assemelha ao Brasil como queremos: debates sobre neutralidade de rede são mantidos constantemente na esfera política, mas normalmente giram em torno de provedores criando pacotes preferenciais de conexão e precificando produtos de acordo com o uso, o que, hoje, é ilegal no país. Há bloqueios instituídos para canais com potenciais relações com a criminalidade (vide a deep web), mas isso geralmente é avaliado caso a caso. Quase 90% da população canadense está conectada à internet de custo mensal médio de C$ 73,80. Os canadenses são o povo que mais fica online por dia no mundo.

Austrália

A qualidade da internet no país é inferior à média se comparada a outros países desenvolvidos, mas isso se dá pelas proporções continentais australianas, bem como grandes áreas de seu território dedicadas à prática rural (agricultura e pecuária, por exemplo). Por isso, a Austrália é uma das nações onde o Wi-Fi é rei, superando em ampla escala a conexão cabeada. Algo entre 96% e 99% da população recebe internet relativamente lenta a preço médio de A$ 73,97, porém funcional e estável. A Austrália não traz liberdade irrestrita de expressão para seus cidadãos, mas tende a respeitar o senso comum de geração de opiniões.

Estados Unidos

Sim, a maior nação do mundo está “apenas” em quinto lugar nesse ranking, cortesia de recentes refutações políticas à neutralidade de rede e um controle de internet variável. Como a maior parte das leis no país são tratadas a nível de Estado, você pode ter mais ou menos censura de acesso dependendo de onde está: em Las Vegas, por exemplo, são abertos os sites de apostas online, algo impensável na Califórnia. A internet tem custo mensal de aproximadamente US$ 62,90, mas há mais ou menos banda e estabilidade dependendo do pacote adquirido com os provedores.

Ainda que tenhamos exemplos da internet em seu melhor estado, há países que exercem um controle desumano sobre o acesso à rede, como se vê no ranking abaixo

Os piores

Etiópia

A nação localizada no “chifre” africano é tida como a pior do mundo no tratamento da internet: apenas 15% da população local tem acesso assegurado e, destes, todos são constantemente monitorados. A liberdade de expressão online inexiste aqui, com manifestações políticas contrárias ao governo sendo amplamente coibidas e perseguidas. Adicione a isso o bloqueio irrestrito de serviços de conexão VoIP como Skype e similares e custo aproximado de absurdos US$ 675 para se pagar por uma conexão, e a Etiópia lidera o ranking de internet como ela não deve ser.

Cuba

Dispersa, caríssima, pouco confiável e totalmente censurada. Esses são alguns dos adjetivos que definem bem a experiência online em um dos países mais fechados do mundo. Em Cuba, é legalmente proibido que você tenha uma conexão particular, sendo forçado a usar o provedor do governo em cafeterias online monitoradas pelo exército. E mesmo nesses casos, os serviços disponíveis limitam-se a e-mails e acesso a sites controlados, nada mundial. Nome e endereço são credenciais obrigatórias a cada login e até mesmo uma palavra digitada em tom dissidente gera um alerta via pop-up, alertando de um bloqueio “por razões de segurança do Estado”. O custo mensal de acesso à rede fica na média de US$ 75, mas, ao menos nisso, o governo age em favor, subsidiando uma parte do custo para os donos de negócios locais.

China

Você já esperava por isso, certo? A China não tem apenas uma Grande Muralha física, mas também um enorme bloqueio e controle de acesso à internet local. No gigante asiático, cerca de 18 mil sites são bloqueados por “conteúdos questionáveis” e, como já se é de imaginar, o governo determina o “questionável” como manifestações políticas contrárias, redes sociais e sites de notícias estrangeiros. O acesso a serviços é amplamente e politicamente limitado, forçando cidadãos a usarem algumas poucas VPNs disponíveis no país para se comunicar com o mundo. Irônico, já que a China é casa de algumas empresas globais de tecnologia, como Huawei e Xiaomi.

A internet chinesa possui uma série de restrições de discurso, acesso e disponibilidade de rede para seus cidadãos, comumente monitorados e censurados por posicionamentos que possam ser considerados dissidentes das práticas governamentais

Síria

Já ouviu falar em “toque de recolher online”? Na Síria, essa é uma prática ocasional levantada pelo governo: antes da guerra civil que assolou o país, a internet local caminhava para um perfil mais libertário, mas, durante os conflitos, o ministério de comunicação do país efetivamente censurou toda a rede, chegando a desligá-la por completo de tempos em tempos. Como se pode esperar, conteúdo politicamente dissidente é proibido e pode levar a assédio e prisões. Cybercafés existem, mas são obrigados a monitorarem hábitos de navegação de seus consumidores e nem pense em falar com alguém no Skype: serviços de VoIP não existem na Síria.

Irã

Embora o país tenha uma penetração de internet maior até que a do Brasil (62% do Irã está online), a rede é uma das mais controladas do mundo. Pacotes de dados são redirecionados a pontos intermediários para monitoramento constante de conteúdo e mídia, o que gera uma extrema lentidão e instabilidade de rede. O chamado traffic shaping, ou seja, a prática de alguns provedores de artificialmente acelerar ou diminuir a banda da conexão, é comum no país e, como não poderia deixar de ser, a censura perene assegura prisões de discursos de dissidência política ou sentimentos antipatrióticos. Dizem até que a capacidade de monitoramento online iraniana é capacitada o suficiente para quebrar protocolos de criptografia de quase todos os serviços de comunicação do mundo.

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