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Terça, 25 de Junho de 2019

Twitter volta a remover contas que publicavam imagens da TV brasileira Terça, 25 de Junho de 2019

Twitter volta a remover contas que publicavam imagens da TV brasileira

A TV aberta brasileira é palco de dramas e de comédias. E para quem não tem tempo de assistir ou acompanhar tudo ao vivo, o Twitter acaba sendo uma boa ferramenta, servindo não apenas como segunda tela (ou única, neste caso), mas também como meio de registro. Aquele apresentador que destruiu o cenário ou o jogador de futebol que caiu no meio de um lance importante? Se aconteceu, provavelmente vai estar na rede social. Ou não, já que os perfis especializados nesse tipo de trabalho voltaram à mira de ataques que resultaram na retirada das contas do ar.

Ao longo das últimas duas semanas, pelo menos 10 perfis ligados à cobertura da televisão aberta brasileira foram suspensos do Twitter, conforme levantamento de Dinho Augusto, um dos atingidos pela nova “caça aos prints”. Todos receberam notificações de infração de copyright de empresas como SBT, RedeTV! e Band devido à publicação de capturas de tela de programas jornalísticos ou de entretenimento, incluindo memes comuns na internet, como os famosos “GIFs da Gretchen”.

O problema é que os canais, em sua maioria, negam as solicitações, enquanto os usuários ouvidos pelo Canaltech suspeitam que alguém está se passando por executivos das emissoras e desferindo ataques direcionados a contas de “desafetos”. Chega a ser irônico que a nova onda de suspensões esteja acontecendo quase que exatamente um ano depois de uma situação semelhante, registrada em junho de 2018, que levou à suspensão temporária de perfis e à derrubada de dezenas de conteúdos no Twitter.

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COMUNICADO
Nós não vamos mais continuar fazendo prints no Twitter e vamos explicar o porquê.

Segue ⬇️ pic.twitter.com/1ruppZ25w2

— Reality Social + (@Reality_Social) 18 de junho de 2019

O Reality Social (@realitysocial), um dos principais perfis responsáveis pela postagem de capturas da televisão brasileira, foi um dos atingidos desta vez, tendo a conta retirada do ar justamente por conta dos “GIFs da Gretchen”. De acordo com os responsáveis pelo perfil, foram sete notificações ao todo, todas relacionadas à participação da dançarina no programa Superpop. Os pedidos vieram em nome de Alessandro Martins Reis Junior, identificado como coordenador de redes sociais do canal.

Ele, entretanto, não faz parte do quadro de funcionários da emissora e nem mesmo o formulário de solicitação foi preenchido corretamente, uma vez que exige a indicação precisa do conteúdo cujos direitos autorais foram infringidos. Aqui, o responsável pela solicitação apenas indicou sites oficiais e redes sociais da RedeTV!. Ainda assim, todas as solicitações foram acatadas pelo Twitter, com o perfil do Reality Social permanecendo inacessível no momento em que essa reportagem é escrita.

Pedro Fonseca também esteve entre os afetados em ambos os casos. Assim como aconteceu com o Reality Social, seu perfil não chegou a ser derrubado em 2018, mas desta vez a suspensão veio após 12 notificações de copyright feitas em nome do SBT, todas relacionadas a postagens antigas com capturas do jornalístico matinal Primeiro Impacto. Para o dono do perfil @naoculpeopedro, a indicação de se tratar de um abuso do sistema de denúncias do Twitter fica clara, novamente, na identidade do responsável por elas.

comé que é o negócio pic.twitter.com/H3fSHKwvun

— putz adorei nota 0 (@naoculpeopedro_) 9 de junho de 2019

As solicitações foram feitas por alguém chamado Pedro Henrique Moreira da Fonseca, que só não é o exato mesmo nome do criador de conteúdo porque ele, na verdade, se chama Pedro Vitor. Além disso, o e-mail utilizado para a realização da denúncia também não existe nos servidores do SBT, mais uma indicação de se tratar de uma fraude. “Eu sei que existem vários Pedros Fonseca por aí, e trabalhando em TVs, mas isso é muita coincidência”, afirmou. O perfil dele também permanece bloqueado no momento de produção deste texto.

A RedeTV! também foi apontada como responsável pelo bloqueio do perfil @TVMaresol, perfil fictício de uma afiliada da também inexistente Rede Metrópole de Comunicação. É uma conta baseada única e exclusivamente na zoeira e parte de uma família de perfis que nem mesmo costuma publicar capturas da programação aberta. Ainda assim, a mera citação do nome da emissora foi suficiente para que o Twitter acatasse sete notificações de copyright, suspendendo a conta.

A TV Maresol, entretanto, é uma das poucas a retornarem após a nova “caça aos prints”. O responsável pelo perfil afirma que chegou a indicar que as solicitações eram equivocadas e estava reunindo prints e materiais para uma contranotificação, mas a conta acabou sendo recuperada antes disso. “Acredito que a mobilização que o pessoal da Rede Metrópole organizou ajudou, junto com os seguidores, mas não consigo imaginar o Twitter Brasil retirando as denúncias por causa disso”, explica.

Ainda assim, a volta da conta serve como um lampejo de esperança aos outros, que ainda permanecem bloqueados ou aguardam a resposta de contranotificações enviadas ao Twitter. Principalmente devido ao fato de as emissoras envolvidas negarem qualquer tipo de solicitação de copyright e, no passado, já terem não apenas dado esta negativa como também apoiado os produtores de conteúdo no Twitter.

Muito feliz com o rápido restabelecimento da conta da @TVMaresol. Porém, gostaria de questionar o @TwitterBrasil por que não está agindo com a mesma celeridade nos demais casos? Teremos todos que emplacar trending topics para que resolvam o problema?!?

— 📢 @revistaabsurda CONTA RESERVA (@absurdarevista) 19 de junho de 2019

Bruno Lima, criador da Revista Absurda (@revistaabsurda), também atingida por solicitações feitas em nome do SBT, discorda. Na visão dele, o Twitter vem resolvendo casos isoladamente, de acordo com o barulho que se faz sobre o assunto na rede social. Em publicação, ele questiona a atenção da empresa em resolver a questão e pergunta se “todos terão que emplacar trending topics”, como aconteceu com a TV Maresol, para que as contas sejam devolvidas.

Em resposta ao Canaltech, o SBT afirmou que “não denunciou as contas dos internautas de qualquer rede social por violação de direitos autorais. A emissora pediu providências necessárias ao Twitter e a empresa americana já está tomando as medidas cabíveis”. O canal também afirmou estar ciente da possibilidade de pessoas estarem utilizando seu nome para bloquear perfis de usuários.

A resposta da RedeTV a respeito das falsas denúncias em seu nome. Alessandro e o nome da pessoa que assinou a denúncia junto ao @TwitterBrasil. pic.twitter.com/O3ub8mSqU1

— Reality Social + (@Reality_Social) 19 de junho de 2019

A RedeTV! respondeu à reportagem e também se pronunciou a alguns afetados. Na nota, o canal confirma que Alessandro Martis Reis Junior não faz parte do quadro de funcionários da emissora e afirma que as denúncias não partiram dela nem de seus colaboradores. A Band, também contatada pelo Canaltech e citada em solicitações a que a reportagem teve acesso, não se pronunciou até o momento.

Abuso, “inimigos” e tutorial

Todos os ouvidos na produção desta matéria concordam: os canais de TV não têm nada a ver com isso e o principal responsável pela remoção das contas é o próprio Twitter, não pelo ato em si, mas por aceitar solicitações de direitos autorais indiscriminadamente, mesmo que não possuam validade, incluam dados falsos ou tenham sido preenchidas de forma incorreta. Com a negativa das emissoras, tal aspecto se tornou ainda mais cristalino, mas, pelo menos por enquanto, a situação das contas bloqueadas ainda não foi solucionada.

Entretanto, durante a produção da reportagem, um outro fator acabou surgindo. Uma reportagem publicada em 7 de junho pelo site Bastidores da TV ensinava, em tom de denúncia, a desativar o perfil de um inimigo no Twitter, como diz o próprio título. “Qualquer um ficou sabendo como se faz e o que já se tinha algum conhecimento, pelo caso do ano passado, ganhou proporções enormes”, explicou o responsável pela Revista Absurda.

Reportagem publicada no início de junho expõe brecha que permitiria o abuso no sistema de solicitação por copyright do Twitter (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

A matéria dá o passo a passo para quem estiver disposto a abusar do sistema de notificações de copyright do Twitter e, na sequência, segue com a evolução de uma situação própria, na qual o próprio perfil do site Bastidores da TV, junto com alguns de seus responsáveis e associados, foram retirados do ar por notificações de copyright supostamente falsas.

A confusão é apontada por alguns dos ouvidos pelo Canaltech como o estopim para a onda de notificações falsas, iniciada há cerca de duas semanas. A reportagem procurou os responsáveis pelo site Bastidores da TV, mas ainda não obteve resposta.

Já o Twitter, quando contatado sobre o assunto, indicou apenas um link para as políticas de direitos autorais que regulam a rede social. A empresa não comentou sobre o possível abuso de seu sistema de notificação de copyright nem falou sobre atitudes que estariam sendo tomadas em relação aos perfis que permanecem fora do ar devido às notificações cuja autoria já foi negada pelos canais de televisão.

Leia a matéria no Canaltech.

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