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Terça, 25 de Junho de 2019

Análise | Samurai Shodown traz visceralidade dos anos 90 para os dias atuais Terça, 25 de Junho de 2019

Análise | Samurai Shodown traz visceralidade dos anos 90 para os dias atuais

Samurai Shodown, ou Samurai Spirits (no Japão), é uma das clássicas franquias de jogos de luta criadas pela SNK nos anos 90. Seu estilo de jogo é único, pois as técnicas são restritas a golpes e defesas efetuados por espadas, além, é claro, das habilidades especiais de cada lutador. No início, tudo parece bem simples, mas, com poucos segundos, o jogador logo está inserido em um dos games mais complexos do gênero.

Apesar de quatro novos personagens, sendo um deles um chefe, o jogo de 2019, tratato como reboot pela SNK, consegue aliar a nostalgia de seu título homônimo de 1993 com uma jogabilidade mais polida e complexa, o que, certamente, agradará fãs de longa data de Haohmaru, Nakoruru e outros.

Mesmo com modos de jogo bem simplórios – para dizer o mínimo –, Samurai Shodown é visceral e apresenta o combate dos sonhos para os amantes de um bom duelo entre espadachins, além de ser um deleite visual e sonoro, com caracterização impecável e músicas que imergem o jogador dentro da era dos samurais.

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Um bom jeito de recomeçar

A SNK optou por fazer algo um pouco diferente para rebootar a série Samurai Shodown. Ao invés de uma narrativa linear, tendo Haohmaru como protagonista, o enredo pode ser desenvolvido por cada personagem individualmente. Ou seja, a história do game e o caminho para derrotar o chefe final serão contados à maneira do lutador que o jogador optar. É interessante notar, neste caso, que cada um deles possui um “rival”, com uma apresentação bem específica em meio aos combates.

Essa ideia da SNK caiu muito bem. Por se tratar justamente de um recomeço, abre-se a possibilidade de revivermos os personagens mais clássicos da franquia de modo a atrair novos fãs. Cada um dos lutadores, antes de iniciar o modo história, possui um vídeo introdutório, que situa o jogador não apenas na trajetória particular de cada personagem, mas também no momento em que o Japão está vivendo, mais precisamente o ano de 1787, o auge do Período Edo (ou Era Tokugawa), que foi de 1603 até 1868.

Arte impecável na apresentação da história de Ukyo Tachibana/ Imagem: Captura de Tela - Felipe Ribeiro

Em um primeiro momento, pode parecer um modo meio vazio. Mas, se o jogador tiver paciência e quiser conhecer (e aprender a dominar as habilidades) os personagens um a um, vale muito a pena dar uma chance ao Modo História.

Visceral, sanguinário e divertido

Tal qual seus antecessores dos anos 90, é no combate que Samurai Shodown brilha. Após um período com jogos bem questionáveis, como o pavoroso Samurai Shodown 64, lançado em 1997 para o Hyper Neo-Geo 64 e Arcade, e a imitação barata de Soul Calibur, Samurai Shodown Sen, lançado em 2008 para Xbox 360, o último game da franquia até então, finalmente recebemos um jogo que dignifica o nome dessa série tão gloriosa, abandonando as lutas em arenas 3D e voltando ao bom e velho combate lateral, como os tradicionais games do gênero feitos em 2D.

Boa variedade de personagens em Samurai Shodown/ Imagem: Captura de Tela/ Felipe Ribeiro

Começamos, claro, pelo elenco. São 16 lutadores selecionáveis, sendo que três aparecem como novidades dentro da franquia: Darli Dagger, Yashamaru Kurama e Wu-Ruixiang. Sem falar, claro, como mencionamos acima, no chefe do jogo.

Tal qual no Neo Geo, os comandos principais se dividem em quatro: corte leve, médio, pesado e um chute. Há, também, a esquiva, o quebra-guarda e os comandos combinados com os gatilhos do controle, que servem para realizarmos os golpes superespeciais, que explicaremos mais adiante.

Haohmaru e Tam Tam, dois personagens que estiveram no primeiro game, de 1993/ Imagem: Imagem: Captura de Tela - Felipe Ribeiro

A SNK fez algo bem interessante para deixar o jogo mais punitivo, digamos assim. É de suma importância saber defender e não perder sua arma. Golpes fortes na sequência desarmam o lutador, anulando sua defesa contra golpes cortantes, a não ser que uma técnica especial para defesa desarmada seja efetuada, o que é bem complicado. Com isso em mente, não adianta sair apertando todos os botões desesperadamente para golpear seu oponente. Encaixar golpes leves é o grande segredo aqui, já que, ao errar um golpe de corte pesado, seu lutador fica vulnerável e, caso o seu adversário saiba o que fazer, você certamente será feito em pedaços.

 

Os poderes e técnicas especiais de cada lutador também variam de intensidade conforme o comando que você utilizar, com as regras de defesa também valendo aqui. Ou seja: se errar um golpe especial com o máximo de força, você está encrencado. Mas, não se preocupe, há um tutorial completo que explicará todas as técnicas necessárias para não se atrapalhar no game.

Para dar ainda mais tempero às lutas, a SNK acrescentou outros dois “especiais” à Samurai Shodown além dos tradicionais de cada lutador e do estouro da barra de especial, que confere mais força ao personagem. Apesar de fáceis de serem executados, não se engane, pois não é sempre que você poderá fazer uso deles, de modo que, uma luta pode ser vencida (ou perdida) no detalhe e encaixar um desses artifícios é o que determinará o seu sucesso.

Vamos a eles:

Técnica de desarmamento

A técnica de desarmamento é efetuada com o mesmo comando por todos os lutadores. Com uma meia-lua + LB (L1 no PlayStation 4), seu personagem executa um movimento especial que fará com que o adversário perca a arma.

 

Ele só poderá ser realizado enquanto sua barra de especial estiver no nível máximo ou quando você estourá-la, ou seja, caso você erre, dá para tentar mais uma vez. Detalhe: caso você estoure sua barra de especial, acabados os efeitos, ela desaparecerá e você não poderá mais usá-la na luta. No caso de você acertar este golpe, desde que usado no momento oportuno, a vitória no round será praticamente certa.

Corte Final

O corte final só pode ser executado com a barra de especial estourada. Neste caso, o seu lutador atravessa o oponente (literalmente) como um verdadeiro samurai, causando muito dano. O “efeito colateral”, no entanto, é o mesmo do golpe de desarme: se você errar, estará bem enrascado, pois a barra de especial desaparecerá ao fim do seu efeito. Vale lembrar que, tal qual o especial tradicional, o corte final só pode ser usado uma única vez em todo o combate.

 

Algo que nos causou certa surpresa foi o equilíbrio entre os personagens. Apesar de bem diferentes entre si, com técnicas variadas, não há muita diferença de força entre eles. Há, claro, a agilidade, golpes com mais hits, mais peso... Mas nada que deixe o game desbalanceado.

Visual impecável e ambientação perfeita

As imagens falam por si. Apesar de não ostentar gráficos ultrarrealistas (essa nem é uma característica da franquia), Samurai Shodown apresenta desenhos lindos, com detalhes bem trabalhados tanto nas armas quanto nas roupas. Os campos de batalha também estão de encher os olhos, com alguns, inclusive, sendo inspirados nas versões clássicas da década de 90.

Porém, ao contrário dos clássicos dos anos 90, o jogo de 2019 está muito mais sanguinolento. A cada golpe, o sangue espirra nos kimonos e no chão, dando aquele ar de drama/violência característico dos japoneses e de produtos com base nos samurais.

A ambientação e caracterização dos personagens são de encher os olhos/ Imagem: Captura de Tela - Felipe Ribeiro

As músicas e os efeitos sonoros também são um destaque à parte. Os cortes de espada, as defesas e confrontos transmitem ruídos de maneira muito verossímil, como em poucos jogos. Já as músicas inserem o jogador em um verdadeiro clima do Japão Feudal, com faixas bem trabalhadas, que vão desde as mais dramáticas às mais agitadas, com cada fase tendo seu fundo musical característico.

Todas as artes, filmes e músicas podem ser desbloqueadas e acessados na galeria.

 

No campo do desempenho, nenhuma ressalva. Nós testamos o jogo no Xbox One X e, apesar da ausência do HDR, o game roda tranquilamente em 4K e a 60fps, com muita fluidez e beleza.

Apesar disso tudo, há um ponto falho no “acabamento”: a localização. Por mais que o game esteja legendado em português, existem erros de tradução grotescos, mas que devem ser corrigidos com um “day one pack”. Mas, claro, não é nada que atrapalhe a experiência.

Modos de jogo nada criativos

Aqui, talvez, está o grande pecado de Samurai Shodown. Além do modo história e do versus, o jogador terá à sua disposição os confrontos online – ainda não disponíveis no momento da análise; o modo traduzido como Punho de Aço, em que você enfrenta todos os lutadores do elenco do game; o tradicional survival e, por fim, um modo em que você tem que enfrentar lutador por lutador, mas de olho no relógio.

Convenhamos, dava para fazer bem mais do que isso, sobretudo tendo em vista a boa variedade de personagens. Um modo “tag team” viria bem a calhar, ou até mesmo desafios de habilidades.

Miyamoto Musashi aprova

A SNK fez um grande trabalho com Samurai Shodown. O desafio de recomeçar uma franquia deste porte e tradição e fazer com que a jogabilidade evoluísse sem perder sua essência foi realizado com maestria. O jogo não é fácil, é verdade, mas, uma vez que dominadas todas as mecânicas, Samurai Shodown se torna um dos melhores e mais divertidos jogos de luta disponíveis e, sem dúvida, o melhor da série. Temos certeza de que Miyamoto Musashi, lendário Samurai, estaria satisfeito com ele.

Samurai Shodown tem lançamento agendado para o dia 28 de junho para Xbox One e Playstation 4 em versões físicas e digitais. O Nintendo Switch, arcades e o Google Stadia também ganharão suas versões.

No Canaltech, Samurai Shodown foi analisado no Xbox One X com cópia gentilmente cedida pela SNK.

Leia a matéria no Canaltech.

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