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Sexta, 13 de Dezembro de 2019

Conheça os jogos e estúdios brasileiros do Google Indie Games Accelerator Sexta, 13 de Dezembro de 2019

Conheça os jogos e estúdios brasileiros do Google Indie Games Accelerator

Aconteceu nesta semana, em Singapura, a formatura dos selecionados para o Indie Games Accelerator 2019 (IGA). O programa do Google é voltado para o fomento da indústria de jogos independentes para Android e contou com 39 companhias de todo o mundo, com seus integrantes podendo ter contato com líderes da indústria para melhorarem seus títulos, entenderem o mercado e, principalmente, aprenderem com o suprassumo desse segmento.

Entre os mentores estão nomes importantes não apenas da própria gigante e seus executivos envolvidos com o marketplace Google Play, mas também gente de renome do segmento de jogos eletrônicos. Os especialistas que fazem parte do IGA incluem, por exemplo, Angelo Lobo, um dos designers responsáveis por Farmville; Wan Hazmer Bin Wan Ab Halim, designer de áudio de Final Fantasy XV; Fawzi Mesmar, diretor de Candy Crush Saga e outros sucessos da King, entre mais de duas dezenas de cabeças que, ao longo do ano, trabalharam para ampliar o potencial dos títulos já em desenvolvimento e ensinar sobre modelos de negócios, liderança, inovação, design e tantos outros aspectos.

Em 2019, o Indie Games Accelerator pela primeira vez também abriu suas portas aos desenvolvedores da América Latina, além da região Ásia Pacífico, que já é o coração do programa desde a sua primeira edição. E neste ano, dos quase 40 escolhidos, quatro são brasileiros, uma demonstração da força de nosso mercado e do potencial que os produtores locais possuem para chegarem ao topo das listas de downloads internacionais.

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Edição 2019 do Google Indie Games Accelerator foi a primeira a contar com desenvolvedores da América Latina, sendo quatro do Brasil (Imagem: Felipe Demartini)

Conheça agora os títulos nacionais cujos desenvolvedores se formaram nesta semana em Singapura, quatro entre os 39 que foram considerados pelo Google como a nova geração de desbravadores desse segmento.

Timo The Game (Webcore Games)

 

Fruto de um edital da SP Cine, agência de cinema do governo do estado de São Paulo, o título da desenvolvedora paulistana nasceu de uma ideia de unir jogos e literatura. Das páginas do artista recifense Raul Aguiar saiu o personagem com raízes pernambucanas, mas alcance global, envolvido em uma batalha fantástica contra inimigos e resolvendo enigmas para poder voltar para casa.

Timo The Game nos coloca em um mundo literário, no qual o protagonista se perdeu dentro de livros e precisa reunir os pedaços de um medalhão mágico para poder retornar. A progressão é livre, com o jogador podendo escolher a ordem de desbloqueio e progresso entre os diferentes níveis disponíveis, com um modelo considerado pela desenvolvedora como semipremium: o título tem download gratuito, mas deve ser adquirido para que seja possível seguir além do segundo mundo.

Misturando uma jogabilidade point and click com interações que usam o acelerômetro, giroscópio e outros sensores do smartphone, Timo The Game traz puzzles que às vezes envolvem lógica, outras são sobre encontrar o destino certo para itens e chaves. Com uma interface simplificada, o título foi desenvolvido por uma equipe de 12 pessoas que divide seu tempo entre os títulos autorais e os jogos de serviço, que servem como uma forma de garantir capital para que as ideias possam sair do papel.

Camila Malaman, da Webcore, no palco da cerimônia de formatura do Google Indie Games Accelerator (Imagem: Felipe Demartini)

Camila Malaman, que representava o estúdio Webcore na formatura do Indie Games Accelerator em Singapura, conta que, apesar das raízes pernambucanas, Timo The Game foi feito para ter apelo global e que esse foi justamente um dos pontos da participação da empresa no programa de aceleração. Segundo ela, por mais que a desenvolvedora seja nacional e o jogo tenha sido financiado em parte por um edital paulista, a França é hoje o maior mercado do título. Agora, a ideia é que o personagem ganhe o mundo.

Golf Galaxy (Orube Game Studio)

 

O Brasil é o país do futebol, mas um título baseado na união do golfe com mecânicas de pinball foi a escolha do carioca Orube Game Studio para participar do Indie Games Accelerator. Portais, canhões e outros power-ups se misturam a circuitos tradicionais do esporte, com os jogadores tendo de contar com uma bela cota de estratégia e até sorte para chegarem ao final de cada fase com o menor número de tacadas possível.

Para Pedro Savino, um dos fundadores do Orube, a experiência ajudou os envolvidos a chegarem até aqui. Antes de Golf Galaxy e do programa de aceleração do Google, foram mais de uma dezena de títulos menores publicados, um processo que ajudou a produtora a vencer um edital da Ancine (Agência Nacional de Cinema) e transformar em realidade a ideia que os levou a Singapura.

Pedro Savino, da Orube, recebe o troféu das mãos de Tian Lim (esquerda), diretor de UX do Google Play, durante cerimônia de encerramento do Indie Games Accelerator (Imagem: Felipe Demartini)

Itens cosméticos e jogadores com personalidade ajudam no engajamento dos usuários com Golf Galaxy, assim como o desafio crescente das fases. A cada tacada certeira, os atletas encontram novos desafios e circuitos mais complicados, que exigem maior controle da força e direção das tacadas. São mais de uma centena de fases e a ideia do Orube era que qualquer um pudesse jogar, seja em pequenas doses ou por horas de uma vez.

Rocket Star (Pixodust Games)

 

A corrida espacial é o mote deste idle game, que se autointitula como um dos melhores tycoons gratuitos para Android. A ambição é necessária, afinal de contas estamos trabalhando na construção de um foguete com a missão de chegar à Lua, depois à Marte e outros planetas na sequência, com um programa de exploração do cosmos bem-sucedido garantindo o financiamento necessário para que mais missões aconteçam.

Um dos pontos principais de Rocket Star é que a economia do game continua funcionando mesmo enquanto o usuário não está diante da tela. A conquista da galáxia acontece por meio de equipes de trabalhadores que continuam na ativa mesmo nos momentos em que o game não está sendo executado, com o dinheiro sendo a principal mecânica que separa os astronautas do pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade.

O idle game de corrida espacial Rocket Star levou a Pixodust ao programa de aceleração para jogos independentes do Google (Imagem: Felipe Demartini)

Cleverson Leal, da Pixodust, destaca o foco gratuito de Rocket Star como um fator de diferenciação, ao mesmo tempo que cita o uso inteligente de mecânicas de monetização como o grande benefício do Indie Games Accelerator para o projeto. Afinal de contas, a corrida espacial não é a única que precisa de financiamento para seguir em frente.

Gunstars (Monomyto)

Presença reconhecida em edições recentes do BIG Festival, Gunstars segue um caminho completamente diferente de Until Dead, o game anterior do estúdio que, inclusive, garantiu alguns prêmios para a empresa. Enquanto o primeiro traz um tom soturno e misterioso do apocalipse zumbi noir, o segundo é todo sobre movimentação, com heróis cartunescos em uma intensa batalha pela supremacia.

O estúdio de Campo Grande (MS) quer fazer com que o jogador invista na estratégia e no combate para que o jogador saia vencedor de uma luta entre 32 pessoas. Heróis com diferentes habilidades e características compõem uma competitiva proposta de multiplayer online. O shooter em terceira pessoa se encontra em fase final de desenvolvimento.

Rafael Costa, que representou a desenvolvedora no evento do Google em Singapura, disse ter ficado surpreso quando os mentores afirmaram que a proposta seria bem-sucedida em um mercado tão competitivo como o da Coreia do Sul. Entretanto, essa ideia também veio acompanhada de um desafio à parte, afinal de contas, estamos falando também de um dos países mais exigentes em termos de jogos multiplayer, o que exigiu uma etapa adicional de produção para que tudo corresse bem.

Além do Brasil, Rafael Costa, da Monomyto, disse ter descoberto que a Coreia do Sul é um bom mercado para seu shooter competitivo online (Imagem: Felipe Demartini)

E isso está acontecendo, segundo ele, com Gunstars passando por etapas adicionais de testes antes de um lançamento que vai contemplar o país asiático e, também, o restante do mundo. A aceleração do Google ajudou a Monomyto a encontrar um norte, mas chegar até lá é um desafio tão grande quanto o que o jogador vai enfrentar para ser o único sobrevivente entre os 32 que começam a partida.

O jornalista viajou a convite do Google.

Leia a matéria no Canaltech.

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