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Quinta, 12 de Dezembro de 2019

NASA revela mais detalhes sobre o novo rover que será enviado a Marte em 2020 Quinta, 12 de Dezembro de 2019

NASA revela mais detalhes sobre o novo rover que será enviado a Marte em 2020

Explorar Marte não é tarefa para um rover só. Por isso, a NASA tem planos de enviar um novo veículo exploratório para o Planeta Vermelho no próximo ano, com algumas melhorias em comparação com o Curiosity (que, no momento, é o único rover da NASA em atividade por lá), para uma missão um pouco mais específica, também.

Enquanto o rover que explora nosso vizinho desde 2012 foi enviado para tentar entender por que e quando Marte deixou de ter água corrente e se transformou em um deserto gelado, o rover da missão Mars 2020, que ainda será batizado oficialmente, vai explorar outra área em busca de sinais de vida passada — as chamadas bioassinaturas. O lançamento está previsto para julho do ano que vem.

Ambos foram desenvolvidos pela equipe do Jet Propulsion Laboratory. Apesar de haver, sim, semelhanças no design, os “irmãos” não são exatamente iguais. O robô da Mars 2020 é um pouco maior e mais pesado do que o Curiosity.

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Vigilância maior em Marte

O Curiosity chegou ao Planeta Vermelho em 2012 com 17 câmeras, sendo que apenas quatro delas captam e transmitem imagens coloridas. O novo rover terá um total de 23 câmeras, a maioria com registros em cores. E também vai ter, pela primeira vez, dois microfones, o que vai nos permitir ouvir o pouso na superfície, os ventos marcianos e até alguns instrumentos da sonda em ação.

Mais do que isso: a NASA incluiu uma Mastcam-Z, versão aprimorada da Mast Camera utilizada no Curiosity. O novo equipamento tem capacidade de dar zoom, gravar em alta definição e pode até fazer panorâmicas.

Rover mais inteligente

O Curiosity recebe comandos da equipe de programadores na Terra a cada início de dia em Marte para saber quais são as tarefas a realizar. No início da missão, os programadores levavam 19 horas para analisar os dados enviados pelo rover, escrever e testar os próximos comandos e enviá-los até o Curiosity, que então os executava e retornava quando havia necessidade de alguma nova ordem. Esse tempo já reduziu para sete horas atualmente.

Para acelerar o processo de exploração, o Mars 2020 será mais inteligente, com capacidade de tomar algumas decisões sozinho. O novo rover poderá calcular seu caminho cinco vezes mais rápido que o irmão e, portanto, possui mais capacidade de se locomover sozinho, o que ajuda na tarefa de escrever os códigos de cada tarefa.

A equipe da missão acredita que cada dia de comandos e análises possa ser feito em apenas cinco horas, permitindo a cobertura de uma área maior e a coleta de mais amostras. Porém, isso não significa que o Mars 2020 vai se mover a velocidades maiores que o as do Curiosity, mas sim que terá automatização maior de seus movimentos.

Mudanças no design

Esquema do rover Mars 2020, que NASA pretende enviar a Marte no ano que vem (Imagem: NASA)

O chassis do Mars 2020 tem cerca de cinco polegadas a mais que o do Curiosity, segundo a NASA. O peso aumentout de 899 kg para 1.025 kg, principalmente por conta dos equipamentos que o novo rover carrega consigo.

Outra mudança é nas rodas. O Curiosity está cheio de furos em suas rodas de alumínio, causadas pelas pedras pontiagudas mais resistentes do que a NASA esperava. Atualmente, o rover traça caminhos para evitar contato com esses obstáculos. Apesar de ter usado o mesmo material nas rodas do Mars 2020, a agência aumentou a espessura do alumínio e deixou as rodas mais estreitas.

Os braços robóticos também ganharam novidades. A extensão é a mesma, de cerca de 2,2 metros, mas são mais pesados, passando de 30 kg para 45 kg, já que os instrumentos são maiores e a broca é mais larga. A intenção da NASA é cortar as pedras para analisá-las inteiras, em vez de transformar tudo em pó como faz o Curiosity. O sistema de tubos de amostras e armazenamento também é mais complexo.

Pouso e área de exploração

A chegada do Mars 2020 a Marte será no mesmo estilo de pouso do Curiosity, mas com uma nova tecnologia, chamada Terrain Relative Navigation (“navegação relativa ao terreno”, em tradução livre), que deve fazer toda a diferença. O rover que chegou em 2012 fez um pouso quase de teste, se pensarmos na tecnologia disponível atualmente.

Outra diferença, claro, é a área a ser explorada. O Curiosity está numa cratera chamada Gale, que acredita-se ter abrigado um lago no passado. Mais precisamente, ele se encontra atualmente no Monte Sharp, dentro da cratera. O Mars 2020 vai ficar mais de 6.000 km distante, também em uma área onde havia água: a cratera Jezero, onde vai procurar por bioassinaturas para descobrirmos se algum tipo de vida já existiu no Planeta Vermelho.

Os rovers Curiosity e Mars 2020 são bastante parecidos (Imagem: NASA)

Preparação para a base humana

Por fim, o Mars 2020 também vai dar um passo além nos estudos preparatórios para a missão humana em Marte, que está prevista para os anos 2030. O Curiosity já faz diversos estudos da radiação e clima marcianos, mas o novo rover leva uma novidade: trajes espaciais para os cientistas estudarem o impacto da atmosfera e a degradação do material.

Também serão testadas tecnologias de produção de combustível para os foguetes, e o Mars 2020 tem um radar que pode ajudar na busca de água em estado sólido no planeta.

Escolha do nome

Os rovers Spirit e Opportunity estiveram em Marte juntos desde 2004 — o Spirit parou de funcionar em 2010, e o Opportunity em 2019. O Curiosity chegou em 2012 e, desde a "morte" do Opportunity, está atuando sozinho no Planeta Vermelho — mas isso só até o próximo ano, quando novamente a NASA terá dois robôs exploradores na superfície do nosso vizinho. Mas ainda falta alguma coisa para o Mars 2020, não acha?

Não precisa se preocupar, ele não vai ser chamado por esse apelido, que leva o nome do planeta e o ano de sua chegada. O verdadeiro nome do rover ainda não foi decidido. A NASA decidirá em janeiro como ele será chamado, considerando sugestões do público geral por meio de uma votação.

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