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Sexta, 13 de Dezembro de 2019

Astronautas em Marte poderão usar uma pá para acessar gelo subterrâneo; entenda Sexta, 13 de Dezembro de 2019

Astronautas em Marte poderão usar uma pá para acessar gelo subterrâneo; entenda

Embora ainda falte um bom caminho pela frente antes de os primeiros astronautas chegarem a Marte, a NASA já está pensando em alguns pormenores dessa empreitada ambiciosa. Um deles é o local de pouso das primeiras missões tripuladas ao Planeta Vermelho. Em novo artigo, cientistas da agência espacial fornecem um mapa que pode ajudar a encontrar o melhor lugar para desembarcar — e o critério para isso seria acesso ao gelo subterrâneo.

O estudo, publicado na Geophysical Research Letters, mostra onde há gelo que parece estar a apenas 2,5 cm abaixo da superfície marciana. Essa água congelada será um fator importante para qualquer potencial local de pouso, porque uma missão tripulada a outro planeta não poderá levar grandes quantidades de água na bagagem, já que isso dificulta e encarece os lançamentos. Se os astronautas puderem pousar onde há esse gelo enterrado, será fácil acessá-lo para beber a água, e essa água também pode ser usada para produzir combustível para o foguete. Ou seja: ter acesso a água, ainda que congelada, tornará as viagens mais baratas, pois será necessário transportar uma menor quantidade de combustível, com o que faltar para a volta sendo produzido em Marte mesmo.

Para determinar quais são os locais da superfície marciana onde esses recursos estão disponíveis, a NASA conta com as sondas que orbitam o planeta. Elas são essenciais para ajudar os cientistas a decidir onde deverá ser construída a primeira estação de pesquisa em Marte, por exemplo. Os autores do novo artigo usaram dados de duas dessas sondas — a Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) e a Mars Odyssey — para localizar o gelo sob o solo.

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Essas sondas contam com dois instrumentos sensíveis ao calor: o Mars Climate Sounder, da MRO, e o Thermal Emission Imaging System (THEMIS), da Mars Odyssey. Foi graças a eles que os pesquisadores conseguiram encontrar o gelo, que está preso no subsolo por todas as latitudes médias do planeta. Como o gelo enterrado altera a temperatura da superfície marciana, os autores do estudo puderam mapear os depósitos de água congelada.

No mapa do gelo subterrâneo em Marte, as cores frias representam gelo mais próximo da superfície. Zonas negras indicam áreas onde uma espaçonave afundaria em poeira fina, e a área selecionada em linhas brancas indica a região ideal para enviar astronautas, onde eles poderiam desenterrar o gelo mais facilmente (Imagem: NASA/JPL-Caltech/ASU)

Como esperado, os dados sugerem uma grande quantidade de gelo nos polos marcianos e nas latitudes médias. Mas o importante para esse estudo são os depósitos particularmente rasos que as futuras missões tripuladas podem aproveitar, e o mapeamento conseguiu detectá-los com sucesso.

Sylvain Piqueux, o principal autor do artigo e cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, disse que “não precisaria de uma retroescavadeira para desenterrar este gelo; você poderia usar uma pá”. Isso porque o gelo está realmente muito próximo da superfície. "Continuamos a coletar dados sobre gelo enterrado em Marte, focando nos melhores lugares para os astronautas pousarem", completou.

Com isso, há alguns candidatos a locais de pouso. A maioria dos cientistas prefere as latitudes médias norte e sul, que têm mais luz solar e temperaturas mais agradáveis. Há uma forte preferência pelo pouso no hemisfério norte, que é mais baixo em altitude e fornece mais atmosfera para desacelerar uma espaçonave durante o pouso. Ali, há uma região chamada Arcadia Planitia, que é o alvo mais tentador na parte norte do planeta.

Mas ainda há muito trabalho a ser feito para decidir o melhor local de pouso. Piqueux continuará estudando o gelo enterrado em diferentes estações, observando como a quantidade de água muda com o tempo. "Quanto mais procuramos gelo na superfície, mais encontramos", disse Leslie Tamppari, cientista do MRO. "Observar Marte com várias naves ao longo dos anos continua a nos fornecer novas maneiras de descobrir esse gelo".

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