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Domingo, 22 de Julho de 2018

Baterias da Tesla, fornecidas pela Panasonic, podem conter cobalto cubano ilegal Domingo, 22 de Julho de 2018

Baterias da Tesla, fornecidas pela Panasonic, podem conter cobalto cubano ilegal

A Panasonic admitiu que pelo menos um pouco do cobalto utilizado em baterias automotivas fornecidas para a Tesla Motors pode ter origem ilegal, oriundo de minas em Cuba. A empresa, em comunicado oficial, disse não saber determinar a quantidade exata e que, diante das suspeitas, suspendeu relações com a Sherritt International, empresa canadense que era fornecedora do material.

A falta de certeza quanto a isso tem a ver com o fato de a Panasonic contar com mais de uma fornecedora do elemento. Além da companhia canadense, a fabricante também compra cobalto da Sumitomo, das Filipinas, de quem afirma ser a “maior parte” do material utilizado nas baterias fornecidas à Tesla.

O problema, aqui, seriam as sanções econômicas impostas a Cuba pelo governo dos Estados Unidos, o que impede que companhias americanas negociem, comprem ou usem materiais vindos do país latino-americano. Por mais que as relações entre os dois países tenham se estreitado nos últimos anos, desde o governo de Barack Obama, o embargo continua em vigor e a utilização do cobalto oriundo de lá pela Tesla, portanto, seria ilegal.

O elemento é essencial para a fabricação de baterias de íons de lítio, como as presentes nos carros da montadora e em boa parte dos dispositivos eletrônicos da atualidade. As suspeitas começaram quando duas fontes, falando em condição de anonimato, revelaram à agência de notícias Reuters que a Panasonic estaria utilizando material oriundo de Cuba. O questionamento foi levado à fabricante, que realizou a suspensão na compra do produto e uma investigação sobre o caso.

De acordo com a empresa japonesa, o cobalto fornecido pela Sherritt International foi utilizado em baterias criadas para os veículos Model S e Model X, fabricados a partir de fevereiro deste ano. Agora, a companhia busca o auxílio do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para entender como as leis relacionadas ao embargo se aplicariam nesse caso. O governo, entretanto, não negou nem confirmou os trabalhos no caso.

Quando questionada sobre o assunto, a Tesla Motors não respondeu sobre a presença de cobalto cubano nas baterias usadas nos veículos, evitando especular sobre uma possível brecha nas leis americanas. Apesar disso, a companhia afirmou que está trabalhando para reduzir sua dependência do elemento a Zero devido a sanções como as impostas a Cuba e, também, às condições subumanas encontradas frequentemente em minas na África, continente que é o grande fornecedor do material para todo o mundo.

We use less than 3% cobalt in our batteries & will use none in next gen

— Elon Musk (@elonmusk) 13 de junho de 2018

Pelo Twitter, o CEO da montadora, Elon Musk, foi além. Respondendo à jornalista Kori Hale sobre o quão dependente do cobalto africano a Tesla é atualmente, o bilionário respondeu que as baterias usadas nos carros têm apenas 3% do material em sua constituição. A ideia, segundo ele, é não utilizar o elemento de maneira alguma a partir da próxima geração de veículos.

Quando contatada, a Sherritt não comentou sobre o trabalho com a Panasonic, afirmando não revelar detalhes sobre negociações específicas com seus clientes. Por outro lado, a empresa confirmou trabalhar com a obtenção de recursos em Cuba, mas que o níquel e cobalto vendido para empresas americanas é obtido e refinado em uma unidade localizada no estado de Alberta, no Canadá. O mesmo elemento vendido para a Tesla é comercializado para companhias da Europa e da Ásia, completou.

A dependência de cobalto para a fabricação de baterias é um dos desafios enfrentados atualmente pela indústria dos carros elétricos. O aumento na necessidade do elemento levou a uma alta nos preços e, também, preocupações maiores quanto à existência de trabalho escravo, infantil ou condições subumanas nas minas do material, localizadas, principalmente, na África. O Congo é o maior fornecedor mundial do elemento.


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