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Terça, 23 de Outubro de 2018

Facebook remove rede relacionada a sites “caça-cliques” Terça, 23 de Outubro de 2018

Facebook remove rede relacionada a sites “caça-cliques”

O Facebook anunciou nesta segunda-feira (22) a remoção de 68 páginas e 43 perfis associados a uma rede de “caça-cliques”, voltada para levar os usuários a sites com pouco conteúdo e muitos anúncios. A ideia do esquema era utilizar links com títulos e chamadas alarmistas para direcionar os utilizadores a sites fraudulentos e voltados para obter ganhos a seus criadores por meio das propagandas.

Entre os links retirados do ar estão nomes conhecidos do ativismo político digital, como o MCC - Movimento Contra Corrupção e os espaços ligados a sites como Gazeta Social, Correio do Poder, Política na Rede e Folha Política. Entre os exemplos de remoção também estão os perfis da TV Revolta, Ficha Social, a página Humor 13, que divulgava memes, e pelo menos uma página de apoio ao juiz Sergio Moro, que ganhou destaque durante as investigações da Operação Lava Jato.

Os perfis e páginas retirados do ar estariam associados ao grupo empresarial Raposo Fernandes Associados (RFA), que, de acordo com o Facebook, estaria ligado a “fazendas de anúncios”. Além do comportamento enganoso quanto a links e redirecionamento de usuários, a rede social afirma também que as contas removidas publicavam spam e foram criadas utilizando informações falsas, dois quesitos que, também, vão contra os termos de uso da rede social.

Por outro lado, a plataforma não comentou as relações entre o grupo pertencente à RFA e uma denúncia feita no dia 12 de outubro pelo Estadão, no qual o esquema foi citado como a maior e mais influente rede de páginas e sites ligadas à campanha de Jair Bolsonaro, candidato do PSL à presidência da república. Ao todo, os espaços reuniriam mais de 16 milhões de seguidores, com ascensão ainda durante os protestos de junho de 2013.

No comunicado oficial sobre o assunto, o Facebook afirma que o conteúdo das postagens feitas pelas páginas e perfis não tiveram qualquer relação com a remoção, ligada especificamente ao redirecionamento de usuários, disseminação de spam e criação de perfis falsos. Apesar disso, no texto, a rede social cita a utilização de conteúdo sensacionalista político de forma generalizada, como uma prática bastante usada por redes desse tipo para gerar tráfego e obter ganhos a partir da exibição massiva de anúncios.

De acordo com a denúncia do Estadão, porém, a rede social vinha investigando o esquema há meses, sem tomar qualquer atitude. A revelação na imprensa se deu em conjunto com a Avaaz, ONG americana voltada à mobilização e influência online, e afirma que, juntas, a rede de páginas possui mais influência e relevância na rede social do que perfis de celebridades como Neymar e Madonna.

Segundo o Facebook, o comportamento irregular foi encontrado apenas dentro da própria rede social, sem sinais de abuso em aplicativos ou outros serviços que também pertençam à empresa. Enquanto isso, de acordo com o Estadão, os responsáveis pela RFA não teriam se pronunciado sobre a remoção das páginas e perfis.


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