OverClock
Quinta, 25 de Abril de 2019

Sucesso de Fortnite criou um ambiente de trabalho abusivo na Epic Quinta, 25 de Abril de 2019

Sucesso de Fortnite criou um ambiente de trabalho abusivo na Epic

O sucesso imenso do modo battle royale de Fortnite foi uma grata surpresa para os executivos da Epic Games, pois proporcionou um lucro recorde e crescimento em um ritmo que nunca havia sido esperado por ninguém. Mas, como é cada vez mais comum no mercado de videogames, esse crescimento além do esperado acabou não trazendo boas notícias para os desenvolvedores do jogo.

Diversos funcionários e ex-funcionários da empresa revelaram em entrevista ao Polygon (sob condição de anonimidade) sobre a cultura de “crunch” (palavra em inglês usada para indicar longas jornadas de trabalho diárias sem pausas ou folgas) e o ambiente de trabalho abusivo que o crescimento do jogo acabou criando na Epic.

De acordo com esses funcionários, fazer horas extras para cumprir os cronogramas da empresa sempre foi algo que existiu, mas era algo raro e que permitia que essas pessoas se programassem. Mas, com o sucesso repentino de Fortnite, isso acabou mudando, tornando-se normal que a empresa exigisse dessas pessoas uma jornada de trabalho entre 70 e 100 horas semanais — o que significava que, caso essas pessoas quisessem ter um final de semana livre para descansar com a família, teriam de trabalhar entre 14 e 20 horas por dia (a nível de comparação, a jornada de trabalho padrão nos Estados Unidos é de 8h por dia).

-
Podcast Canaltech: de segunda a sexta-feira, você escuta as principais manchetes e comentários sobre os acontecimentos tecnológicos no Brasil e no mundo. Links aqui: https://canaltech.com.br/360/
-

Essa nova cultura acabou tornando o ambiente de trabalho, que antes era bem tranquilo, em um lugar bastante abusivo, com funcionários reclamando continuamente de stress e ficando doentes por conta do excesso de trabalho. E, ainda que a empresa não obrigasse as pessoas a trabalharem durante os finais de semana, ela tinha a cultura de demitir aqueles que escolhiam não fazer horas extras, o que acabava por fazer que os funcionários sentissem ser obrigados a trabalharem além do estipulado em contrato todos os dias. E, por conta do esquema sazonal de lançamentos de conteúdos para Fortnite, que recebe uma grande atualização a cada três meses, muitos desenvolvedores se desesperam e entram em depressão por não terem perspectiva de que esse trabalho um dia irá acabar.

Outras decisões tomadas pelo estúdio para lidar com o crescimento do jogo também ajudaram a criar essa cultura, como o aumento repentino no número de funcionários — por exemplo, a equipe de suporte do jogo passou, do dia para noite, de 40 para 3.000 pessoas, e os funcionários mais antigos precisavam, além de focar no próprio trabalho (cuja demanda havia aumentado muito), auxiliar no treinamento e aclimatação desses novos contratados, o que aumentava em muito o stress da equipe.

Outro problema bem comum era a quantidade de demissões que ocorreram durante o período, com diversos funcionários se esforçando para aguentar as pontas até a data de pagamento dos bônus por participação nos lucros — que, por conta dos lucros muito acima do esperado, muitas vezes chegavam a ser até três vezes maiores que os próprios salários — para então pedirem demissão por motivos de saúde mental e até mesmo física.

Procurada antes da publicação da reportagem, um porta-voz da Epic confirmou que diversos dos problemas citados na matéria são reais, mas que a empresa tem se esforçado para remediá-los. Ela afirma que jornadas de trabalho de 100h semanais são bastante raras e que a empresa tem criado mecanismos para que elas sejam cada vez menos recorrentes.

A Epic também afirma que muitos desses problemas citados por funcionários foram decorrentes do crescimento muito rápido e inesperado de Fortnite, que não permitiu que a empresa se preparasse e fosse incrementando a equipe aos poucos. Para evitar que seus funcionários se sintam mais esgotados do que já estão, a empresa criou uma cultura de garantir a todos dois períodos de férias anuais obrigatórias, para que possam descansar e colocar a cabeça no lugar.

Leia a matéria no Canaltech.

Trending no Canaltech:


Compartilhe: http://tinyurl.com/y48y5whe