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Domingo, 17 de Fevereiro de 2019

Sonda robótica consegue acessar detritos radioativos em Fukushima Domingo, 17 de Fevereiro de 2019

Sonda robótica consegue acessar detritos radioativos em Fukushima

A agência de notícias AFP informou que a Tepco, operadora estatal da usina nuclear de Fukushima, acaba de realizar um importante teste com uma sonda controlada remotamente. A sonda conseguiu captar vários pequenos grãos de detritos radioativos no local dando o primeiro passo para um projeto da empresa, que se prepara para começar a limpar a área em um trabalho que pode levar décadas.

Desenvolver robôs capazes de lidarem com a intensa radiação liberada pelo combustível derretido no acidente que aconteceu em março de 2011 é a principal dificuldade. Oito anos depois, a Tokyo Electric Power Company Holdings (Tepco) que opera a usina nuclear, ainda está nos estágios de formação para elaborar um plano de limpeza. Em 2017, em uma tentativa mal sucedida realizada pela empresa um robô parou de responder após permanecer duas horas no reator nº 2, que possui radiação suficiente para matar um ser humano em poucos segundos.

No início do ano passado uma sonda equipada com câmera e controlada remotamente foi enviada para o reator nº 2 e conseguiu registrar detalhes de resíduos acumulados que precisam ser limpos, mas a empresa ainda precisa estudar se esse material pode ser movimentado.

Usina nuclear de Fukushima (Foto: AFP)

A ultima operação da Tepco no local aconteceu no último dia 13 e durou cerca de 8 horas. Na investigação, uma sonda equipada com uma mão robótica operada remotamente foi enviada para a câmara inferior nº 2, informou o Japan Times. Utilizando os dedos em forma de pinça, a sonda conseguiu recolheu cinco pedaços de combustível radioativo derretido do tamanho de um grão. A AFP noticiou que o material foi movido a uma altura máxima de cinco centímetros acima do fundo da câmara. A Tepco informou ainda que a sonda foi capaz de medir o nível de radiação e a temperatura do local durante a investigação.

Mesmo que nenhum detrito radioativo tenha sido removido da câmara durante a operação, a sonda conseguiu mostrar que parte do combustível derretido pode ser transferido, informação essencial para determinar como serão os planos de limpeza da usina. Segundo informações do jornal Japan Times, uma das seis áreas exploradas pela sonda continha detritos que se solidificaram em uma substância semelhante à argila e que não puderam ser movidos pela sonda. Com isso, a Tepco deve planejar o desenvolvimento de robôs para cortar esse material de forma que ele possa ser removido.

A Tepco tem planos de começar a remover o combustível radioativo até 2021, mas a estimativa é que a limpeza leve décadas e não deverá ser concluída antes de 2050. Outros obstáculos devem desafiar a empresa na tentativa de limpar a usina, como determinar a incerteza sobre a extensão total dos danos estruturais na área, localizar todo o combustível derretido dentro dos reatores afetados e encontrar uma maneira de remover as grandes quantidades de água contaminada que estão armazenadas no local.


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